Bike Fit
Para um praticante de ciclismo, moutain bike, triathlon com experiência, as medidas da bicicleta e o seu posicionamento sobre ela não são questões que se apresentam como problemas determinantes, pois geralmente, ao longo dos anos esse praticante vai encontrando a posição mais adequada para si mesmo.
Eu como praticante da modalidade, reconheço o valor da experiência prática sobre a bicicleta no que diz respeito ao melhor posicionamento. Mas como professor não posso deixar de considerar a validade de todos os estudos que estão aparecendo, pois eles nos dão uma referência numérica norteadora, que se aproximam muito da posição ideal (que não é um padrão absoluto, mas sim individual) de cada praticante.
Atualmente existem diversas vertentes de pensamento sobre posicionamento do praticante e medidas da bicicleta. Temos desde vertentes que consideram "posicionamento adequado" aquele em que o praticante se sente bem sobre a bicicleta (visando ou não a eficiência/performance), passando por vertentes empíricas, que observam duas ou três medidas (sem utilizar qualquer fita métrica), e vertentes mais ou menos científicas que partem de medidas da bicicleta e medidas corporais aplicadas a fórmulas particulares, que evidenciam com maior ou menor precisão o "posicionamento adequado" sobre a bike.
Pesquisando sobre o assunto encontrei várias medições e várias fórmulas, e como praticante e professor, desenvolvi uma planilha de análise e adequação postural do praticante sobre a bicicleta, congregando tanto dados empíricos quanto científicos.
O trabalho é composto de três partes: 1) conversa inicial, medidas da bicicleta e medidas do atleta sobre a bicicleta; 2) medida de segmentos e ângulos corporais e filmagem do atleta pedalando; 3) adequação das medidas da bicicleta e angulos corporais do atleta sobre a bicicleta.
As duas primeiras partes do trabalho são realizadas no primeiro encontro e a terceira parte no dia seguinte, pois o movimento da pedalada filmado será analisado e os dados obtidos serão aplicados nas fórmulas, sendo que a bicicleta do atleta permanece na loja para que as novas medidas sejam aplicadas.
Na primeira parte, a conversa com o praticante tem por objetivo definir quais serão seus objetivos ao pedalar, o tipo de bicicleta utilizada, distância percorrida e modalidade. Esses dados irão determinar as variações nos padrões de medidas obtidos pelas fórmulas. Ainda dentro da primeira parte, a medida da bicicleta do atleta e de seus ângulos corporais sobre a mesma são feitos com o objetivo de estabelecer uma diferenciação entre o antes e o depois da avaliação, possibilitando assim que tenhamos numericamente uma referência do que está sendo mudado e os posteriores resultados obtidos.
Na segunda parte são feitas medidas de segmentos corporais (braço, ante-braço, coxa, perna, altura do tronco, estatura), flexibilidade e ângulos corporais (joelho, troncoXcoxa, troncoXpernas, troncoXbraço, braçoXante-braço). Também nessa parte o praticante é filmado pela frente, lateral e costas pedalando no rolo, a fim de identificar problemas de posicionamento e de técnica de pedalada. A filmagem é analisada posteriormente a partir de critérios pré-estabelecidos, e cruzado com algumas informações obtidas na conversa inicial.
A terceira parte é realizada no dia seguinte, onde a bicicleta é entregue com as medidas obtidas, e com uma ficha impressa dos dados. Nesse momento também são realizados ajustes e orientações sobre o novo posicionamento.
Esses ajustes da terceira parte são relativizações das medidas padrão obtidas, que podem ainda não ser suportadas por completo pelo praticante por falta de costume, flexibilidade, ou mesmo porque as novas medidas podem ser muito direrentes das anterioremente utilizadas, e precisam ser mudadas aos poucos.
Anderson Antoniacomi.
Escrito por Hunger Bikes às 14h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|